OPINIÃO

Tite deve ficar

10/07/2018

As redes chamadas sociais – que por vezes se comportam como dissociais, antissociais e até incivilizadas – estão repletas de culpados pela nossa precoce saída da Copa.

Tite é teimoso, Tite convocou errado, Tite levou jogador machucado, Tite levou jogador sem condições físicas, Neymar não fez nada a não ser cair; Fernandinho não é jogador para a Seleção, Gabriel Jesus deveria ter saído, Alisson falhou no gol contra a Suíça, Alisson falhou nos gols contra a Bélgica… e por aí vai.

Tudo somado, a Seleção foi um fiasco, um fracasso , uma desgraça, uma calamidade.

Nem tanto, nem tanto.

Volto a firmar meu ponto de vista expressado após a eliminação: a Seleção jogou bem. Só que em uma Copa do Mundo jogar bem não é o bastante.

Aconteceram erros sim.

Mas é preciso ter calma, sobriedade e parcimônia nas análises desses erros. Afinal, não houve o erro calamitoso, o erro que definiu a eliminação.

Gabriel Jesus não foi o centroavante que dele se esperava. Mas o potencial existe e, imagino, deve ter sido por isso que Tite o manteve: esperando que a qualquer instante ele estourasse.

Neymar se desgastou muito com o cai-cai, mas foi o atacante que mais vezes tentou o chute ao gol adversário, foi o que mais driblou e o que mais sofreu faltas. Ou seja, ele trabalhou; não brilhou, mas trabalhou muito.

O jogo contra a Bélgica poderia ter outro placar, se pelo menos três situações claras se concretizassem:

– Mandamos uma bola na trave, que poderia ter entrado, já que o grandalhão Curtois estava batido. Foi um lance meio sem querer do Thiago Silva. Sim, foi. Mas o lance sem querer da parte deles entrou: a bola que bateu no ombro do Fernandinho e tirou Alisson da jogada.

– A bola rolada por Neymar para Philippe Coutinho que o artilheiro chutou para longe. Um lance incrível para quem é tão eficiente nos chutes e que naquele momento pareceu estar com as chuteiras com os pés trocados.

– A defesa sensacional de Curtois no chute de Neymar no finalzinho do jogo. O próprio Curtois em entrevista ao final do jogo, disse que após fazer a defesa, soltou um “Ulalá” em auto aplauso e ao mesmo tempo expressando sua quase incredulidade com o tamanho da defesa.

Caso isso acontecesse, a mesma Seleção, com todos os erros elencados no começo da coluna, estaria classificada e semifinalista.

De todo jeito, perdendo ou não, não cabe a surrada frase repetida à exaustão por esquerdopatas e direitopatas nessas ocasiões: “É um absurdo ficar pensando em Copa quando o País atravessa grave crise, crianças passam fome, a educação é ruim, não existe saúde pública, segurança é uma piada…” outras balelas.

A essas asneirices, cabe uma pergunta: e se não tivesse Copa, estaria tudo perfeito?

É do jogo.

E o futuro?

 

Acredito que Tite vai continuar no comando da Seleção. E acredito que esse é o caminho certo.

Foi feito um trabalho sério e não se pode esquecer que ele tirou a Seleção do descrédito, do desprestígio em que se encontrava para torná-la novamente respeitada. E amada.

Temos para o ano que vem a Copa América que será disputada aqui no Brasil. Precisamos dar continuidade ao trabalho.

Tite não é bobo.

A essas alturas, já fez seu mea-culpa , já anotou em seu caderninho vermelho algumas mudanças precisam ser feitas.

Essa não é uma geração perdida.

Não estamos diante de um saco de feijão bichado. Temos alguns bons jogadores que poderão se unir a outros que despontam agora, como o Rodrygo, do Santos, o Vinicius Jr, ex-Flamengo, Arthur, ex-Grêmio, são alguns deles.

Neymar e os escanteios

 

Não consegui encontrar, até hoje, uma explicação plausível para o fato de Neymar ser o cobrador oficial de escanteios.

Na direita ou na esquerda, lá está ele.

Ora, Neymar é o nosso melhor e mais famoso jogador; é sem dúvida o que mais preocupa e mete medo aos adversários.

Mas, no momento de uma jogada tão importante, que vai se desenrolar a centímetros do gol adversário, onde está Neymar? Está isolado num dos cantos do campo.

E o que faz Neymar quando cobra um escanteio: apenas levanta a bola na área, faz um cruzamento. Será que é preciso gastar fôlego e talento de um craque para a cobrança de um escanteio?

Talvez a explicação seja o fato de que ele não é um cabeceador.
Se for isso, coloque o homem na cabeça da área para tentar recuperar a chamada segunda bola, aquela que o defensor tira de qualquer jeito de perto do seu gol.

Pelo menos, ele estará mais próximo daquele espaço que antigamente era chamado de zona do agrião.

Ou, então, que se treine jogadas das quais ele possa participar.

Neymar cobrando escanteio é o mesmo que você importar um caro e consagrado chef francês para o seu jantar de luxo e deixá-lo apenas arrumando a cozinha.

Mário Marinho
Artigo escrito por Mário Marinho

Mário Marinho é jornalista esportivo com atuação no Jornal da Tarde, nas TVs Gazeta, Bandeirantes, Record e Cultura e nas rádios Eldorado, Gazeta, Record, Nove de Julho e Atual. É autor dos livros: "Paulo Marinho, uma reportagem biográfica", e "Velórios Inusitados".

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