OPINIÃO

45 minutos plenos: Brasil 2, México 0.

02/07/2018

Foi um segundo tempo de encher o peito. De jogadas que foram criadas, tramadas e acabaram quase todas, nas mãos do excelente goleiro Ochoa. Mas duas delas venceram a elasticidades e os apurados reflexos do goleiro mexicano.

Brasil 2, México 0.

Cumpriu-se uma tradição: o México jogou como nunca e perdeu como sempre. Nas últimas quatro vezes em que os dois se encontraram em Copa s do Mundo, o Brasil venceu três e empatou uma. A única vez em que os mexicanos não perderam foi exatamente na Copa de 2014, 0 a 0, jogo realizado em Fortaleza.

No jogo desta segunda-feira, os mexicanos, dirigidos pelo técnico Juan Carlos Osório, conseguiram segurar o Brasil, com forte esquema de marcação, principalmente dificultado a saída de bola do time brasileiro.

Neymar foi muito marcado, mas, desta vez, não procurou a simulação que marcou muito forte suas primeiras atuações na Copa.

O Brasil tocava a bola, mas, não conseguia dar continuidade às jogadas. O México também tocava a bola e também não levava perigo ao gol de Alisson.

As coisas mudaram radicalmente no segundo tempo. O time brasileiro voltou com Willian, que fazia boa partida, mas jogando muito aberto na ponta direita, voltou com Willian, repito, jogando mais pelo meio, mais solto.

E logo aos cinco minutos a novidade surtiu efeito: Neymar tocou para William, de calcanhar. O ponta avançou pela meia esquerda e cruzou rasteiro para Neymar entrar do outro lado e marcar, 1 a 0.

O Brasil continuou atacando, mas só foi marcar o segundo gol já aos 42 minutos, com Firmino que havia entrado em lugar de Coutinho. Em mais uma bela jogada de Neymar. Viu-se em campo um Neymar disposto a jogar pela Seleção, sem abrir mão de seus dribles de suas jogadas criativas, muitas vezes abusadas.

Ele foi eleito pelo júri da Fifa como o melhor em campo – e com muito merecimento. Um ponto abaixo dele, em minha opinião, ficou William. Os dois fizeram seu melhor jogo nesta Copa.

Agora, teremos pela frente a Bélgica, na sexta-feira. Bélgica que suou para vencer o Japão, 3 a 2, depois de estar perdendo por 2 a 0. E o gol da vitória e da classificação, surgiu aos 49 minutos do segundo tempo.

Cala a boca, Osório.


A cena lamentável da tarde, ainda em campo, ficou por conta do lateral mexicano Layun que pisou propositadamente no pé direito de Neymar, quando este estava caído fora de campo, esperando atendimento médico.

Foi um absurdo de violência, porque não se tratou de uma jogada dividida, uma jogada mais dura, mas simplesmente de covardia.

Talvez, mais lamentável ainda, tenha sido o técnico Juan Carlos Osório que, na entrevista coletiva pós jogos, festa estas declarações:

– O juiz ajudou o Brasil na marcação de faltas e ao permitir que o jogo ficasse paralisado para atendimento de um jogador por 4 minutos.

– É lamentável que um jogador (Neymar) faça tantas simulações. O futebol é um esporte visto e praticado por crianças no mundo inteiro. Ele não deveria fazer o que faz.

Em sua segunda declaração, Osório estava se referindo ao pisão que Neymar levou de Layun.

Concordo com o Osório: o futebol deve ser o mais limpo possível, pois é mesmo exemplo para crianças no mundo inteiro.
Mas, ao não condenar o seu jogador pelo covarde pisão que todo mundo viu, Osório está dando um péssimo exemplo.

Aliás, é de se perguntar o que fazia o tal Assistente de Vídeo naquele momento que não chamou a atenção do juiz para o lamentável fato.
Será que Sua Senhoria o VAR considerou que foi apenas um pisãozinho? Da mesma forma que considerou que foi apenas um empurrãozinho sobre o Miranda no jogo contra a Suíça?

Escapando das
garras da Zebra


Eu sei que zebra não tem garra, mas quando a Seleção do Japão faz 2 a 0 em cima da Bélgica, uma das candidatas ao título, vale dizer “dá garras a zebra” que pintou.

O Japão soube se aproveitar de uma indolente seleção belga que passeava em campo como se a vitória sobre o adversário viesse pela força da natureza, assim como vem a chuva.

Foi um susto muito grande para os belgas. E não fosse o grande goleiro Curtois, o Japão poderia ter ampliado o placar. Mas, acabou por se render à maior técnica e experiência dos belgas e cedeu o empate.

E quando todo mundo já se preparava para a prorrogação, o Japão cobra escanteio, o goleirão Curtois, defende e entrega a bola rapidamente a um companheiro fora da área, dando início ao contra ataque que levou ao gol da vitória.

Já se passavam os quatro minutos dos cinco que o juiz deu como compensação. 3 a 2. Nem sequer houve tempo para a saída de bola.

É contra essa Bélgica que jogaremos nossa permanência na Copa, na próxima sexta-feira.

Mário Marinho
Artigo escrito por Mário Marinho

Mário Marinho é jornalista esportivo com atuação no Jornal da Tarde, nas TVs Gazeta, Bandeirantes, Record e Cultura e nas rádios Eldorado, Gazeta, Record, Nove de Julho e Atual. É autor dos livros: "Paulo Marinho, uma reportagem biográfica", e "Velórios Inusitados".

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