OPINIÃO

É muito sofrimento!

22/06/2018

Ufa! Foi justa a vitória, foi merecida, foi relevante e, acima de tudo, muito importante. Mas, será que a gente merece tanto sofrimento assim?

Se bem que, em situações assim, sempre me vem à mente frase que ouvi ainda na primeira série ginasial (lá se vão anos, décadas) de um professor de Matemática, Manoel Doro, que, como todo matemático, era também filósofo: “A vida que corre tranquila não cria caracteres viris”.

Ou seja: é na dificuldade que você cresce, ascende, eleva.

Então, meu caro professor Doro, crescemos muito nesta manhã. Pode ser até premonitório: quem sabe esse sofrimento todo não cria liga forte nesse time que é bom, mas não tem jogado bem?

Quem sabe?

O primeiro tempo foi absolutamente ridículo, com a nossa Seleção cinco vezes campeã do mundo sendo dominada pela frágil Costa Rica. É verdade que desta vez Neymar ficou mais tempo em pé: levou 15 minutos para a primeira queda. Mas, somente aos 30 minutos levamos algum perigo ao gol adversário.

No segundo tempo as coisas melhoraram e tivemos alguns lampejos de futebol brasileiro. Veio o pênalti que foi claro. A repetição do lance, pela câmara de trás do gol, mostra Neymar sendo impedido de chegar à bola e, um pouco mais atrás, o juiz marca o pênalti com absoluta certeza, sem titubear.

Vem a pressão dos costarriquenhos e o juiz se asila no porto que lhe é seguro do Juiz de Vídeo. Ele vê e revê o lance. Volta e determina que fica o apito pelo não apito. E eu pergunto: o que ele viu naquelas imagens que nós outros não vimos?

Ah!, o Neymar fantasiou. Pode ser. Mas, se houve o pênalti, deve prevalecer a falta. Até porque, a fantasia, o exagero vem depois da falta cometida.

Não foi certo. Porém, fica a lição.

E tudo caminhava para o empate que poderia jogar o Brasil numa situação muito ruim, até que veio o gol de Philippe Coutinho. Gol de bico, gol salvador. Gol de raro oportunismo como aquele que Ronaldo Fenômeno marcou contra a Turquia, na Copa de 2002.

Reveja o lance: https://youtu.be/t8KngXRDQdk

Para não deixar qualquer dúvida sobre o merecimento da vitória, veio o gol de Neymar. Gol que o fez desabar depois do jogo (não foi daquelas quedas já manjadas) em choro convulsivo.

No jogo de hoje, ele procurou ser mais sério – e foi. Mas ainda está longe do jogador brilhante, do craque candidato a melhor do mundo.

Talvez pelo longo período de inatividade, talvez por não estar ainda completamente recuperado, seja lá por qual motivo for, ainda faltam a explosão, a criatividade, a ousadia que sempre foram características do garoto.

Quem sabe o peso que carregava se foi com as lágrimas: 

Tomara.

 

A grande lição que fica.

 

De todo sofrimento é possível tirar ensinamentos. Do jogo contra a Costa Rica ficam pelo menos duas advertências:

– Nosso futebol é bom, até muito bom. Mas não é imbatível, não é imparável.

– O toque de bola lateral, como vimos no primeiro tempo, pode até garantir resultado, no caso, um 0 a 0 que ninguém queria. Mas, para ganhar é preciso ousadia, é preciso arriscar, arrojar.

Aqui, lembro-me de uma frase de Mao-tsé Tung: “Ousar lutar é ousar vencer.”

Sem ousadia é difícil alcançar a vitória.

Veja os principais lances da dureza pela qual passamos hoje.

https://youtu.be/_lJEeUYRMBM

Mário Marinho
Artigo escrito por Mário Marinho

Mário Marinho é jornalista esportivo com atuação no Jornal da Tarde, nas TVs Gazeta, Bandeirantes, Record e Cultura e nas rádios Eldorado, Gazeta, Record, Nove de Julho e Atual. É autor dos livros: "Paulo Marinho, uma reportagem biográfica", e "Velórios Inusitados".

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