OPINIÃO

Não era nada disso, Tite.

18/06/2018

Antes de falar dos erros do juiz, e eles aconteceram, é preciso deixar bem claro: para o futebolzinho apresentado pela Seleção, o empate ficou de tamanho justo.

Desde que assumiu a Seleção Brasileira, Tite defendeu a alegria do futebol, a busca do verdadeiro futebol brasileiro, aquele que  joga para a frente, que busca o gol adversário, acrescentado de um up grade resultante de uma defesa bem postada e a valorização da posse de bola.

O ataque formado por William, Philippe Coutinho, Gabriel e Neymar, jogadores de forte genoma atacante, prometia destruir defesas adversárias, mesmo que fossem um ferrolho como historicamente a Suíça se apresenta.

Mas o que se viu no jogo de estreia nesta Copa não foi nada disso. O Brasil foi tímido.

William começou bem e sumiu. Gabriel Jesus, a rigor, fez apenas uma jogada, aquela em que sofreu o pênalti não assinalado pelo juiz. Philippe Coutinho fez o gol, o belo gol, e nada mais. Neymar foi caçado, não produziu bem e, nos últimos 15 minutos, mostrou que realmente ainda não está 100% fisicamente.

Mas, lamentável mesmo, foi o Brasil ter renunciado ao jogo após o gol de Philippe Coutinho. Em vez de jogar o seu futebol, de procurar tomar a bola do adversário no campo dele, nosso time recuou e ficou à espera do time suíço que passou a tocar a bola.

O Brasil jogou feio. Foi tímido, foi medroso.

Cadê o tal juiz de vídeo?

A adoção do assistente de vídeo é a maior novidade dessa Copa.

No jogo do Brasil, em pelo menos duas oportunidades, ele deveria ter sido utilizado.

No gol de empate da Suíça foi visível o empurrão que Miranda sofreu exatamente no momento em que se preparava para subir e cortar o cruzamento de cabeça.

Esse foi um lance muito claro e um bom juiz, bem colocado, nem precisaria de um assistente de vídeo para ver a falta.

Infelizmente, o juiz não viu e nem quis ver o lance pela TV.

Então pergunta-se: para que o assistente de vídeo se um juiz prepotente, que se acha acima do bem e do mal, não tem humildade para reconhecer a sua dúvida?

No lance sobre Gabriel Jesus, o pênalti também foi incontestável. Menos, claro, para sua senhoria.

Mas, volto a afirmar: o resultado poderia ter sido outro. Mas o futebol apresentado por nossa Seleção foi pequeno demais.

O resultado, em si, não é desesperador, mas, o futebol apresentado foi altamente desapontador.

A Zebra que pegou os campeões

Ninguém de posse de suas normais faculdades mentais apostaria na vitória do México sobre a poderosa e campeã do mundo Alemanha. E é aí que o futebol se torna grande, por suas armadilhas.

E a armadilha mexicana foi simples como 2+2 são quatro: jogar futebol.

É verdade que na segunda metade do segundo tempo os alemães encurralaram os mexicanos e até fizeram por merecer o golzinho de empate. Porém, no primeiro tempo, os mexicanos poderiam ter feito pelo menos mais uns dois gols. Mas, sua vitória foi um feito a ser comemorado.

Será que essa Copa vai pegar?

Diferentemente de outras Copas, o Brasil não calçou chuteiras nem se vestiu de verde e amarelo. Não estamos vendo ruas pintadas, amigos marcando churrascos para assistir aos jogos. Nada disso.

Por isso, até estranhei quando, na tarde da última sexta-feira, ao passar pelo centro da cidade de São Paulo, encontrar vendedores expondo seus produtos verde e amarelo: camisas, bonés, vuvuzelas, cachecóis etc.

Conversando a respeito com um amigo, naquela sexta-feira, ele me disse:

– Parece que a Copa agora vai pegar.

Fui mais cauteloso.

– Se o Brasil jogar bem, vencer bem o jogo de estreia, pode até ser que a Copa pegue. Temos contra nós a turbulenta situação do País, muita corrupção, incertezas políticas, econômicas e, além de tudo, o horário ruim dos jogos.

Está difícil de a Copa pegar.

Mário Marinho
Artigo escrito por Mário Marinho

Mário Marinho é jornalista esportivo com atuação no Jornal da Tarde, nas TVs Gazeta, Bandeirantes, Record e Cultura e nas rádios Eldorado, Gazeta, Record, Nove de Julho e Atual. É autor dos livros: "Paulo Marinho, uma reportagem biográfica", e "Velórios Inusitados".

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