OPINIÃO

O direito de sonhar

12/06/2018

 

Sonhar nunca foi proibido. Há até aquela frase: sonhar não paga imposto. Mas, claro, não se pode deixar que o sonho mascare a realidade. E por falar em frase, há aquela outra: quanto maior o pau, maior o tombo. Ou seja: quanto maior o sonho, a esperança, maior a decepção.

Tudo isso para falar da frase de Neymar após a bela vitória sobre Áustria, 3 a 0, ontem. Neymar diz que o brasileiro pode sonhar, que pode se orgulhar de ser brasileiro. E é verdade.

A exibição da Seleção brasileira ontem, em Viena, foi primorosa. Havia a grande expectativa por ser o primeiro jogo com Neymar desde o início, três meses depois de sua séria contusão. Três meses de inatividade.

O começo do jogo mostrou o Brasil com dificuldades de partir da defesa para o ataque, o meio de campo tímido e, consequentemente, bolas que não chegavam ao ataque. E o ataque tinha proposta concretamente ofensiva: William, Philippe Coutinho, Gabriel e Neymar. Três jogadores com genomas ofensivos, criativos, ousados.

O adversário foi um adversário de respeito, principalmente pelo vigor e força físicos. Ao contrário do que poderia acontecer em um jogo às vésperas da estreia da Copa do Mundo, o quarteto, que tem tudo para se transformar num Quarteto Fantástico, não tirou o pé, não fugiu das jogadas mais duras.

Assim, encerramos com a chamada chave de ouro o período pré Copa, que vem desde a estreia do técnico Tite. Um período de alegria. De muita alegria.

A apaixonada imprensa espanhola já chama o time brasileiro de mágico”. Mas não está só. “O Brasil está imparável em 2018. Assumiu o seu status (de ser um dos favoritos para vencer o Mundial) e assusta alguns dias antes do início da Copa. Neymar marcou um lindo gol”, escreveu o jornal francês “L’Équipe”.

“Brasil dá show contra a Áustria: 3 a 0 com outro gol fantástico de Neymar”, afirmou o jornal italiano “La Gazzetta dello Sport”. Outro jornal espanhol o “As” diz: “ O Brasil voltou a mostrar que é favorito ao Mundial. Exibição de qualidade”.

Temos, portanto, o direito de sonhar. No mínimo, não paga imposto.

Ao fazer o seu golaço – Neymar dificilmente faz gols, só golaços – ele tirou a camisa imitando Romário. Na verdade, homenagem ao maior Baixinho do Mundo que marcou 56 gols pela Seleção Brasileira. Neymar, com o gol de ontem, alcançou 55.

Nostalgia de Copa do Mundo

Na Copa 1990 passei cerca de dois meses na Itália. Os primeiros dias são de deslumbramento. Seguem-se dias de fascínio com a culinária. Depois, a ficha começa a cair. Sente-se falta do arroz com feijão, de um churrasco bem ao nosso jeito e, por fim, a imbatível saudade de casa, da família. É a nostalgia.

Foi nesse estágio que uma música me acompanhou nos dias quentes e noites estreladas, porém, solitárias da Itália: “Un’estate italiana”. Foi o tema oficial da Copa de 90, cujo título quer dizer “Um verão italiano”. Começa assim:

Talvez não seja uma música
Para mudar as regras do jogo
Mas eu quero viver essa aventura muito
Sem fronteiras e com um coração na garganta

E logo vem o bordão, o estribilho:

Noites mágicas
Perseguindo um gol
Sob o sol
De um verão italiano

Curta esse rock-nostalgia. https://youtu.be/kjwslNO47J8

O duro
castigo da bola

Durante quase 90 minutos, o Palmeiras teve seu adversário, o Ceará, sob domínio ontem à tarde, em Fortaleza. Abriu 2 a 0 e mandou no jogo. Feita a fama, deitou-se na cama. E foi aí que se deu mal e acabou levando o empate.

É o tipo do resultado onde não se pode aplicar a máxima “empate fora de casa é vitória”. O Verdão perdeu dois preciosos pontos.

Com pompa e circunstância, o Atlético assumiu a vice-liderança do Brasileirão ao massacrar o Fluminense no Independência: 5 a 2. O Galo é o time que mais vezes marcou no Brasileirão, 22 gols, e tem o artilheiro da competição, Roger Guedes, com 8 gols.

Mário Marinho
Artigo escrito por Mário Marinho

Mário Marinho é jornalista esportivo com atuação no Jornal da Tarde, nas TVs Gazeta, Bandeirantes, Record e Cultura e nas rádios Eldorado, Gazeta, Record, Nove de Julho e Atual. É autor dos livros: "Paulo Marinho, uma reportagem biográfica", e "Velórios Inusitados".

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