OPINIÃO

Está quente, está frio.

15/04/2018

Está quente: o ministro Marco Aurélio marcou para terça, depois de amanhã, a decisão sobre o recebimento de denúncia por corrupção passiva contra o senador Aécio Neves, ex-presidente nacional do PSDB. Na sessão do Supremo, decide-se o recebimento da mesma denúncia contra a irmã de Aécio, Andréa, do primo Frederico Pacheco e de Mendherson Souza Lima, todos delatados por Joesley Batista, que se fazia passar por amigo. Diz a denúncia que Aécio pediu R$ 2 milhões de propina a Joesley. Aécio diz que pediu dinheiro, como empréstimo, para pagar seus advogados.

 

Está frio: a vocação punitiva do STF não é tão vocacionada assim. Diz o colunista Cláudio Humberto (http://www.diariodopoder.com.br)) que o ministro Celso de Mello segura há dez anos ação contra o deputado federal Flaviano Melo, do MDB do Acre, acusado de gestão fraudulenta quando governador, entre 1988 e 1990. A ação está pronta para julgamento em plenário, desde que Celso de Mello libere seu voto. A denúncia foi recebida em 2002, está no Supremo desde 2007, e prescreve no fim de junho. A partir de agosto, adeus julgamento. A ação estará extinta. O réu livre, leve. E solto.

 

Celso de Mello segura também, desde fevereiro, as duas primeiras ações penais liberadas para julgamento pelo relator da Lava Jato, ministro Édson Fachin: uma contra o deputado federal Nelson Meurer, do PP, outra contra a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann. Um dia, talvez.

 

Cumo é o nome dela?

 

Gleisi, a propósito, pediu a mudança de seu nome parlamentar para Gleisi Lula Hoffmann. Patrus Ananias também: Patrus Lula Ananias. E o senador Lindbergh Farias: Lindbergh Lula Farias, “Lindinho” para seus eleitores. O vereador Fernando Holiday fez a mesma coisa, ao contrário: é Fernando Moro Holiday. Tem gente que não pode ver um mico que sai correndo para pagá-lo.

 

Jogando para a plateia

 

Não se impressione com a manobra do PT, que pediu “medida cautelar” ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, para que o Governo brasileiro impeça a prisão de Lula até que todos os recursos tenham sido esgotados. A ONU não pode alterar resoluções judiciais de países-membros.

 

Brasil brasileiro

 

O excelente repórter Paulo Renato, colaborador desta coluna no Mato Grosso do Sul, chama a atenção para uma peculiaridade do Estado: nestas eleições, quem está em primeiro lugar nas pesquisas é quem mandava prender, o juiz Odilon de Oliveira, do PDT. Em segundo, vem quem já foi preso, o ex-governador André Puccinelli, do PMDB; em terceiro, quem é investigado por denúncia de corrupção, em delação da JBS, o atual governador Reinaldo Azambuja. O caçador lidera a corrida e a caça perde.

 

Só boato

 

Uma notícia falsa se espalhou rapidamente pela Internet, para denunciar uma suposta maquinação de ministros do Supremo para libertar presos da Operação Lava Jato. A manobra seria a seguinte: o ministro Marco Aurélio teria aproveitado a viagem de Temer à Cúpula das Américas, com a consequente posse de Carmen Lúcia como presidente da República e a de Toffoli em seu lugar no Supremo. Com Carmen fora da votação, a prisão em segunda instância não seria confirmada: com o placar de 5x5, os réus seriam beneficiados com a liberdade. Só que não: Temer volta no domingo e reassume a Presidência, Carmen Lúcia volta ao comando do Supremo e as votações ocorrem com a formação habitual da Corte,

 

Sinal de sempre

 

A informação falsa sobre a manobra que não houve tem uma característica que nunca falta e que é sinal seguro de que está tudo errado: o texto mal-educado, que troca fatos por insultos. Nesta, os ministros são chamados de crápulas e vagabundos. Com essa linguagem, nunca é verdade. O pedido “compartilhem ao máximo” também nunca falta em notícia falsa. E ainda serve para facilitar a proliferação de vírus.

 

Intimidade?

 

Esqueça: hoje em dia (e não apenas por artes do Facebook) seus dados pessoais estão à disposição da praça. Privacidade? Intimidade? Clique http://easyconsultas.com/consulta.php e dê o CPF para ter informações sobre o portador, algumas certas e atualizadas, outras superadas, outras que nada têm a ver com o portador daquele documento. Legal ou ilegal? É melhor consultar advogados. Mas o link não é clandestino: quem o recebe, recebe abertamente.

 

Caminho possível

 

Preste atenção na ideia de uma Assembleia Constituinte, separada do Congresso, com a missão de mexer amplamente na Constituição de 1988. A ideia cresce e muita gente a vê como saída para a crise.

                                                 

 

COMENTE:

carlos@brickmann.com.br
Twitter: @CarlosBrickmann
www.brickmann.com.br
www.chumbogordo.com.br

Carlos Brickmann
Artigo escrito por Carlos Brickmann

Jornalista, consultor de comunicação. Especialista em gerenciamento de crises. Foi colunista, editor-chefe e editor responsável da Folha da Tarde; diretor de telejornalismo da Rede Bandeirantes; repórter especial, editor de Economia e de Internacional da Folha de S.Paulo; secretário de Redação e editor da revista Visão; repórter especial, editor de Internacional, de Política e de Nacional do Jornal da Tarde. Dirige a B&A, Brickmann&Associados Comunicação.

Veja todos os artigos deste autor »
ASSINE NOSSA NEWSLETTER!
NOME: EMAIL:
Enviar