OPINIÃO

Adrenalina pura nos campeonatos estaduais

09/04/2018

O seleto e dileto leitor que me acompanha já leu aqui a defesa que sempre faço dos estaduais. Em minha opinião, são eles vitaminas fortificantes da rivalidade. E sem rivalidade, o futebol fica pobre.

O imponderável, a polêmica e a rivalidade formam o tripé que sustenta e engrandece o futebol. E esses ingredientes estiveram presentes em doses cavalares nas decisões estaduais deste fim de semana.

 

São Paulo: Timão

O imponderável compareceu logo no primeiro minuto de jogo quando o garoto Mateus Vital, de 20 anos, fez incrível jogada pela esquerda, invadiu a área, passou para Rodriguinho que, com um toque simples, mandou para o gol.

Para marcar mais fortemente sua presença, o imponderável fez com que a bola fosse desviada no zagueiro Vitor Luiz, o que atrapalhou a defesa do competente Jaílson, goleiro palmeirense.

Costumo dizer, e repito, gol no comecinho do jogo é o sonho de quem marca e o pesadelo de quem o sofre. Muda todo o planejamento estratégico do jogo.

O Palmeiras teve 89 minutos para marcar o gol que lhe daria o título – não conseguiu. O palmeirense sofreu durante longos 89 minutos. A diferença entre os dois times foi gritante.

O Corinthians jogou com a determinação de manter aquele resultado. Ficou na esperança de que um contra-ataque lhe desse o segundo gol. Ou as grandes mãos do gigante Cássio pudessem resolver na decisão por pênaltis.

O Palmeiras, com sua equipe pontilhada de jogadores caros e famosos não teve a mesma determinação. Dominou a maior parte do jogo, teve mais tempo com a bola nos pés, mas não soube o que fazer com ela.

Seus três maiores nomes sucumbiram. Dudu ciscou, ciscou, ciscou e cruzou bolas sobre a área – e só. Borja, maior contratação do milionário Palmeiras, recebeu poucas bolas e nessas poucas vezes, nada fez. O craque Lucas Lima sumiu, desapareceu.

Com esse perfil de jogo, o Verdão não poderia mesmo vencer. Os palmeirenses reclamaram, pouco, do gol marcado por William logo no começo do segundo tempo e anulado pelo juiz. Foi um lance difícil, mas a repetição da televisão mostrou que William estava mesmo impedido.

A polêmica maior aconteceu no pênalti marcado e desmarcado. Se eu estivesse apitando o jogo, teria dado o pênalti. E teria errado.

Na primeira repetição do lance pela tevê, minha certeza balançou. Nas repetições seguintes, ficou claro que o zagueiro do Corinthians foi na bola e o toque nas pernas do atacante Dudu foi consequência do lance.

O grande problema foi a demora do quarto árbitro em avisar ao juiz Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza e a demora dele em tomar a decisão. Foi muita pressão, pressão dos dois lados, mas o juiz tem que estar preparado para isso.

Sobre a interferência do quarto árbitro que avisou ao juiz da legalidade do lance, a Federação Paulista de Futebol divulgou ontem mesmo nota oficial em que diz: “A diretriz da arbitragem prevê que o árbitro, em todo lance com alta dificuldade, consulte toda a sua equipe para, em conjunto, tomar as decisões corretas”.

O Alianz Parque recebeu público recorde: 41.227 pagantes, todos palmeirenses, que viram o Timão conquistar seu 29º título paulista (o Palmeiras tem 22).

 

Minas Gerais: Cruzeiro

No primeiro jogo, no estádio Independência, o Atlético venceu com facilidade, 3 a 1, e poderia até mesmo ter chegado a um placar mais dilatado.

Durante toda a semana que se seguiu, o Galo ficou com a Taça nas mãos ou as mãos na Taça. Mas, na hora do vamos ver, acabou sucumbindo ao melhor futebol do Cruzeiro que precisava vencer por dois gols de diferença e conseguiu: 2 a 0.

Durante todo o campeonato mineiro, o Cruzeiro foi melhor: marcou mais gols, sofreu menos gols, venceu mais jogos. Seu único tropeço foi naquele jogo do Independência. Mas se recuperou na decisão do Mineirão com 44.253 pagantes, recorde do Campeonato Mineiro.

 

Rio: Botafogo

O Vasco precisava de apenas um empate para se tornar campeão carioca. Tudo parecia caminhar nessa direção até que aos 49 minutos do segundo tempo, o capitão Carli mandou a bola para as redes cruzmaltinas e levou a decisão para os pênaltis.

Aí brilhou o goleiro argentino Gatito Fernandez, do Botafogo, exímio defensor de pênaltis: defendeu uma cobrança, o suficiente para o Botafogo ser campeão.

Com 58.135 pagantes, o Maracanã teve o melhor público do ano no futebol brasileiro.

 

Rio Grande do Sul: Grêmio

No primeiro jogo, disputado em Porto Alegre, o Grêmio venceu o Brasil, de Pelotas, com facilidade.

No jogo da volta, em Pelotas, o Brasil resistiu bravamente no primeiro tempo, mas acabou batido por 3 a 0.

Renato Gaúcho campeão mais uma vez.

 

Paraná: Atlético

O Coritiba venceu o primeiro jogo. Assim precisando da vitória, o Atlético Paranaense partiu para cima do adversário desde os primeiros minutos. Bruno e Ederson fizeram os gols que deram o título ao Furacão.

 

Bahia: Bahia

O jogo foi na casa do adversário, o Vitória. No primeiro, na Fonte Nova, deu Bahia, 2 a 1. Assim, foi natural e esperado o sufoco com que o Vitória submeteu o adversário nos primeiros momentos.

Tudo em vão. Elton fez o gol que valeu o título para o tricolor baiano.

 

Pernambuco: Náutico

Depois de 13 anos, o Náutico conquista novamente o título pernambucano.

O primeiro jogo, em Caruaru, terminou sem gols.

Assim, o vencedor de ontem, em Recife, seria o campeão. Com a Arena Pernambuco recebendo público recorde de 42.350 pagantes, o Timbu venceu por 2 a 1, levou o título e mostrou como dá certo a política de renovação do elenco:os garotos Bruno, Kevyn e Robinho foram os grandes destaques do Náutico e do Campeonato Pernambucano.

 

Ceará: Ceará

Rogério Ceni levou o Fortaleza à final do Campeonato Cearense, mas não conseguiu ainda o seu primeiro título como técnico: foi batido pelo Ceará, 2 a 1. O Castelã recebeu público recorde deste ano: 39.920 pagantes.

 

Veja os gols dos Estaduais:

https://youtu.be/pcp9Zjvri-E

Mário Marinho
Artigo escrito por Mário Marinho

Mário Marinho é jornalista esportivo com atuação no Jornal da Tarde, nas TVs Gazeta, Bandeirantes, Record e Cultura e nas rádios Eldorado, Gazeta, Record, Nove de Julho e Atual. É autor dos livros: "Paulo Marinho, uma reportagem biográfica", e "Velórios Inusitados".

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