OPINIÃO

Clássico com cara de clássico

05/03/2018

 

Seria exagero de minha parte qualificar o jogo entre Santos e Corinthians, nesse domingo, como um jogão.

Mas, sem dúvida, foi um bom jogo.

O primeiro tempo foi corintiano. É incrível como o Corinthians consegue envolver seus adversários com toques de bola, trocas de passes rápidos com poucos erros e com muita eficiência.

O gol corintiano, marcado por Renê Júnior logo aos 20 minutos do primeiro tempo foi resultado de um lance que somou ousadia com sorte. Ousadia do bom volante corintiano ao tentar um chute de tão longe contra o tão competente goleiro Vanderlei.

Para compensar sua ousadia, entrou em campo a sorte que levou a bola ao rosto do também volante Leo Citadini que, desviada, ficou fora do alcance de Vanderlei.

O Corinthians ainda criou algumas chances de gol, sem, contudo, converter.

O segundo tempo foi mais do Santos, principalmente pós-apagão.

É verdade que o time da Vila exagerou nos chuveirinhos.

Há uma grande diferença entre o chuveirinho e a bola cruzada.

No chuveirinho a bola é lançada pelo alto, sobre a área, à procura de alguma cabeça salvadora que encontre a bola.

Nos cruzamentos, a bola sempre, ou quase, tem endereço certo na cabeça do atacante.

Com exceção de dois cruzamentos, ambos no segundo tempo, os outros foram todos chuveirinhos. E foram muitos: 47.

Até que veio o gol premiando o esforço santista.

A bola foi cruzada, Cássio rebateu mal – o goleiro não pode jogar a bola dentro de sua própria área. Diogo Vitor apanhou o rebote e empatou aos 41 minutos.

Aos 47 veio o lance do pênalti. Foi, foi pênalti.

Mas, daí, a dizer que o juiz meteu a mão, que roubou, vai uma diferença muito grande. O lance fica claro no replay da televisão.

Na hora, deixa dúvidas.

De todo jeito, acertou o destino que determinou o erro do juiz, já que o resultado mais justo seria mesmo o empate.

Não que eu considere que campo de futebol seja um Tribunal de Justiça.

Mas, enfim, além de boas, jogadas, de alguns esbarrões, de alguma catimba, o clássico teve também o lance do pênalti não marcado para aumentar ainda mais a polêmica dos dias seguintes.

Clássico é assim.

 

A absurda violência

Em São Paulo, na Zona Leste, um torcedor corintiano foi espancado por torcedores santistas e acabou morrendo no hospital.

Em Belo Horizonte, torcedores do Galo espancaram um cruzeirense que, felizmente, ficou apenas ferido.

Ambos os casos aconteceram antes dos jogos e até mesmo distantes dos estádios.

No Pacaembu, e eu seu entorno, tudo em paz com o estádio recebendo apenas a torcida santista.

Agora, o que fazer para manter a paz a quilômetros de distância do Pacaembu, dezenas de quilômetros, para que torcedores não entrem em briga, não se matem, não se assassinem? Em Belo Horizonte, a distância entre o estádio do jogo e a briga de torcedores foi também quilométrica.

E a culpa é única e exclusivamente dos torcedores.

O que fazer? Proibir o torcedor de sair de casa? Prender todo mundo antes do jogo?

Ou pedir a Deus que abra a cabeças desses torcedores e despeje ali um pouco de bom senso? Será possível colocar na cabeça deles que a vida é um pouco – pelo menos um pouquinho – mais importante, mais sagrada que um jogo de futebol?

 

O quinto metatarso

Não vou falar sobre aquele jogador e aquela operação do dedinho do pé.

Falei.

Veja os gols do Fantástico:

https://youtu.be/zZHbMsEga_g

Mário Marinho
Artigo escrito por Mário Marinho

Mário Marinho é jornalista esportivo com atuação no Jornal da Tarde, nas TVs Gazeta, Bandeirantes, Record e Cultura e nas rádios Eldorado, Gazeta, Record, Nove de Julho e Atual. É autor dos livros: "Paulo Marinho, uma reportagem biográfica", e "Velórios Inusitados".

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