OPINIÃO

E surge na Suécia o Rei do Futebol

02/01/2018

 

É um fenômeno tão raro quanto surgir, por exemplo, um novo Leonardo da Vinci. Ainda mais com aquela idade, 17 anos.

Foi assim que o mundo conheceu, reverenciou e elegeu Rei do Futebol o menino magrinho, nascido em Três Corações, Minas Gerais, que passaria a ter como súditos bilhões de amantes do futebol.

Naquele ano de 1958, o Brasil era governado pelo mineiro Juscelino Kubitschek de Oliveira, um sorridente e empreendedor presidente que prometera o crescimento de 50 anos em cinco.

Naquele ano, seria inaugurado o Palácio da Alvorada, o primeiro prédio da nova capital, Brasília, ainda em construção.

Se JK esbanjava otimismo, o mesmo não acontecia com aquela Seleção que estava embarcando para a Suécia, onde disputaria a Copa do Mundo. O brasileiro ainda sentia o gosto amargo da derrota de 1950, no Maracanã, e a pálida participação na Copa de 1954.

Para completar o clima de pessimismo, até a classificação para a Copa havia sido meio sem graça: empate com o Peru, em Lima, 1 a 1, e vitória no Maracanã, 1 a 0, com o gol de folha-seca de Didi, craque do Botafogo carioca.

De novidade, mas o que poucos sabiam, o comando estava entregue a um empresário paulista do ramo das comunicações, Paulo Machado de Carvalho, dono da TV Record. Doutor Paulo, como era conhecido, reuniu-se com três jornalistas esportivos, Paulo Planet Buarque, Ary Silva e Flávio Iazzetti, e com eles elaborou minucioso plano de preparação da Seleção.

O plano foi aprovado por João Havelange, que, naquele ano, assumia a presidência da Confederação Brasileira de Desportos, a CBD, que mandava no futebol brasileiro.

No jogo de despedida da Seleção, contra o Corinthians-SP (que foi derrotado por 5 a 0), no dia 21 de maio, o zagueiro corintiano Ary Clemente machucou o jovem e ainda não muito conhecido Pelé, que saiu de campo de maca e só viajou para a Europa por ordem expressa do doutor Paulo Machado.

Para melhorar as finanças, a Seleção fez dois amistosos na Itália: no dia 29 de maio, venceu a Fiorentina, em Firenze, por 4 a 0. Reza a lenda que nesse amistoso Garrincha marcou o quarto gol depois de driblar duas vezes a defesa adversária, inclusive o goleiro. Por isso foi considerado irresponsável para vestir a camisa da Seleção, sacado do time pelo técnico Vicente Feola e só voltou no segundo jogo da Copa, a pedido dos jogadores.

O segundo amistoso foi contra o Internazionale, em Milão, no dia 01/06/1958, e também vencido por 4 a 0. Sem Garrincha.

A Copa apresentou duas boas novidades: a volta da Argentina e a estreia da União Soviética.

Os grandes favoritos para o título eram a Alemanha, campeã de 1954; a Hungria, sensação de 54; a Suécia, dona da casa; a União Soviética, que fora campeã olímpica em Melbourne (Austrália), 1956. A Inglaterra, também nome forte, jogava de luto: em fevereiro daquele ano, o avião que transportava o Manchester United acidentou-se e matou oito jogadores, entre eles três titulares da Seleção. Ninguém falava no Brasil.

Apesar de toda a organização, a delegação brasileira se esqueceu de registrar os números dos jogadores. Às pressas, um cartola uruguaio, que fazia parte do comitê organizador, foi quem deu os números. Por isso, o goleiro Gilmar disputou a Copa com o número 3; Garrincha, com a 11; Zagallo, com a 7; e, quis o destino, Pelé com a 10, que ele imortalizou.

Outro problema com a camisa foi na partida final. Como a Suécia, dona da casa, tinha camisas amarelas, coube ao Brasil usar camisas azuis. Paulo Machado de Carvalho, muito supersticioso (usou o mesmo terno marrom em todos os seis jogos), ficou com medo de que os jogadores sentissem qualquer problema com a camisa azul e os reuniu para dizer que eles jogariam com a camisa que era da cor do manto de Nossa Senhora Aparecida,Padroeira do Brasil – estavam, pois, abençoados.

Mesmo antes das bênçãos da padroeira Nossa Senhora Aparecida, o Brasil foi tocado por uma força maior: a força do menino Pelé.

Somente no terceiro jogo ele teve condições para entrar em campo vestindo a camisa 10 que imortalizou e nunca mais largou.

Foi no jogo contra a forte União Soviética, batida por 2 a 0, gols de Vavá. O time brasileiro foi este: Gilmar, De Sordi, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo.

O jogo seguinte foi contra o Pais de Gales com seu futebol de forte retranca, que só um gênio poderia derrubar.

Pois foi o que aconteceu: Pelé recebeu o passe de Didi, já dentro da área, matou no peito e colocou no cantinho do goleiro Kelsey. Vejam que o garoto Pelé faz o gols e ainda não dava aquele soco no ar que tornou-se sua marca registrada.

Veja as imagens: https://youtu.be/GWWJIPwHg8A

Estava aberto o caminho para o Brasil chegar à final.

O jogo seguinte foi a goleada sobre as França, 5 a 2, com 3 gols de Pelé.

E, no dia 26 de julho, a grande final contra a Suécia, os donos da casa que foram impiedosamente massacrados: 5 a 2, com direito a 2 gols de Pelé.

Onze anos depois, Pelé chegava à marca dos 1.000 gols. Marca que ainda não havia sido atingida por outro jogador de futebol com aquela idade: 27 anos.

O Rei reinou e continua sendo reverenciado.

Só os argentinos não enxergam isso.

 

Eleições no Corinthians

 

No começo do mês que vem, haverá eleição que determinará quem será o novo presidente do Corinthians.

Três são os candidatos mais fortes: André Sanches, Roque Citadini e Paulo Garcia.

Sanches já foi presidente do Corinthians, com ousada administração que trouxe Ronaldo, o Fenômeno, para vestir a camisa alvinegra.

Citadini e Garcia têm longa ficha de serviços prestados ao Corinthians.

Sanches aproveitou o sucesso frente ao Timão, lançou-se na vida política, optando pelo PT partido que está atolado até o pescoço com os escândalos de corrupção. Sanches também é investigado.

E, cá pra nós, tá na hora de separar a política no futebol.

Citadini e Garcia são os dois melhores nomes, em minha opinião.

Mário Marinho
Artigo escrito por Mário Marinho

Mário Marinho é jornalista esportivo com atuação no Jornal da Tarde, nas TVs Gazeta, Bandeirantes, Record e Cultura e nas rádios Eldorado, Gazeta, Record, Nove de Julho e Atual. É autor dos livros: "Paulo Marinho, uma reportagem biográfica", e "Velórios Inusitados".

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