OPINIÃO

A explosão da Quarta Força

21/11/2017

O ano começou assim. Alguém espirituoso e criativo cunhou a expressão “Quarta Força” para denominar o Corinthians.

Por essa divisão, a Primeira Força seria o miliardário Palmeiras que, nadando em piscina de fazer inveja ao Tio Patinhas, ganharia tudo e até mesmo o tão sonhado mundial.

Em segundo lugar ficou o Santos para o qual deu-se a chalaça de “DNA Ofensivo”.

Em terceiro lugar, mas com potencial de ascensão, estava o São Paulo dirigido pelo Mito Rogério Ceni, cheio de novidades e disposto a reescrever a história do futebol.

Em modesto quarto lugar estava o Corinthians com um técnico desconhecido – afinal, quem é essa tal de Carille? – dirigindo um bando de jogadores meia boca.

Veio o Paulistão. O argentário e magnata Palmeiras caiu frente à Ponte Preta, sendo eliminado em seu suntuoso palácio.

O Santos, longe do DNA ofensivo, caiu nas quartas de final frente à Ponte Preta.

O São Paulo do apólogo Rogério Ceni foi batido pelo quase desconhecido Fábio Carille.

A final ficou entre Ponte e Corinthians e o Timão meia boca foi campeão.

A teoria  não se aplicava no Brasileirão. Afinal, logo abaixo do opulento Palmeiras, seguiriam-se ainda times de pompa e circunstância como Cruzeiro, Grêmio, Flamengo, jogando assim o campeão paulista lá para as entranhas dos desesperados.

Como se fosse um bom mineiro, aquele que come quieto, o Corinthians chegou de mansinho à liderança do Brasileirão e agarrou-se à ela com a mesma sofreguidão com que um petista se gruda a uma boquinha.

Não mais largou.

Disseram que era coisa de cavalo paraguaio – aquele que larga bem, fica à frente dos outros, mas despenca na chegada.

Disseram também que a avassaladora campanha do primeiro turno, com 19 jogos invictos, se devia ao fato de os outros grandes estarem disputando competições mais importantes.

Tudo mudaria, vaticinaram as cassandras, aquela personagem da mitologia grega, uma das 19 filhas do rei Príamo que tinha a capacidade de prever grandes desastres.

Um arúspice gaúcho chegou a afirmar do alto de seu poder adivinhatório: “O Corinthians vai despencar”.

Quando a desafogada diferença de pontos entre o Corinthians e o vice-líder caiu para cinco pontos, pitonisas comemoraram o fim do líder que se afundaria em imensurável crise.

Tudo em vão.

Chegou então a quarta-feira, dia de enfrentar o Fluminense, dia de ser campeão.

Uniram-se forças contrárias invocando e esperando um desconhecido poder de reescrever o destino.

Na manhã da quarta-feira, encontrei meu amigo Modesto Laruccia, um palmeirense sempre perspicaz, que me disse.

– Sabe, acordei hoje com a certeza que desde criança eu torço para o Fluminense.

O gol do Fluminense logo a um minuto de jogo fez espoucarem fogos na noite paulistana. Talvez fogos armazenados para outras comemorações que não aconteceram.

Mas virada veio, como vêm os castigos. Não a cavalo, mas de cabeça do artilheiro Jô e depois, para sacramentar, num preciso arremate de Jadson.

Corinthians campeão brasileiro pela sétima vez.

A festa que começou com o primeiro título em 1990, e repetiu-se em 1998, 1999, 2005, 2001 e 2015.

Como falar em descaso dos grandes que disputavam torneios mais importantes, em sorte, em apito amigo contra os números, reais, frios, reveladores?

Em 35 jogos, venceu 21, empatou 8, perdeu apenas 6. Marcou 48 gols, sofreu 24. Tem o maior número de vitória de todos os 20 participantes e o menor número de derrotas.

Não dá para contestar esses números.

Trata-se do campeão exato, certo, justo, insuspeito, apropriado, arrazoado, consciencioso, probo, linheiro, íntegro, nobre.

Curta as imagens, corintiano, Você merece!

https://youtu.be/IOUYD5h0HHM


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Mário Marinho
Artigo escrito por Mário Marinho

Mário Marinho é jornalista esportivo com atuação no Jornal da Tarde, nas TVs Gazeta, Bandeirantes, Record e Cultura e nas rádios Eldorado, Gazeta, Record, Nove de Julho e Atual. É autor dos livros: "Paulo Marinho, uma reportagem biográfica", e "Velórios Inusitados".

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