OPINIÃO

O futebol, assim como o vinho

11/08/2017

O vinho mais caro é sempre o melhor, certo? Nem sempre. O time com jogadores mais caros é sempre o melhor, certo? Nem sempre. Vamos começar pelo vinho. Muita gente escolhe o vinho pelo preço ou pela idade. Há uma certa verdade na afirmação de que o vinho quanto mais velho, melhor. A afirmação é até citada no evangelho de São Lucas: “Ninguém que bebeu do vinho velho, quer já do novo”. A maioria dos vinhos requer envelhecimento. Veja bem: a maioria, não todos. Quanto ao preço, assisti a um vídeo em que o dono de um famoso restaurante francês convidou meia dúzia de pessoas especializadas (jornalistas, enólogos, sommeliers e enófilos) para um teste às cegas. Cinco tipos de vinhos foram colocados à prova. Entre eles estava o Romanée-Conti, produzido na Borgonha, apontado como um dos mais caros do mundo. Custa hoje, no Brasil, em torno de R$ 10 mil o litro e foi muito consumido por Lula quando era presidente do Brasil. Mas havia também o Château Prieurs de la Commanderie 2012 que, apesar do nome pomposo, custa cerca de 60 euros ou, mais ou menos, R$ 200,00. Pois não deu outra. O nobre Romanée-Conti amargou um humilde terceiro lugar, enquanto o plebeu Prieurs ocupou o degrau mais alto do pódio. O futebol também está cheio de exemplos assim. Lembro-me do Corinthians de 1985. Na época, com alta grana da venda de Sócrates (cera de 3 milhões de dólares), o Corinthians resolveu montar um super time. Da Ponte Preta vieram o goleiro Carlos, o lateral Edson e zagueiro Juninho. O uruguaio De León da Seleção Uruguaia e que defendia o Grêmio foi contratado. Dunga, então revelação do Internacional, também veio. Arthuzinho, grande nome do Vasco, foi contratado. Do Santos, chegaram o artilheiro Serginho Chulapa e o arisco ponta João Paulo, apelidado, na época, de o Papinha da Vila. O “imbatível” time teve três técnicos no ano: Jair Picerni, Carlos Alberto Torres e Mario Travagilini. Título? Nenhum. O tal esquadrão não se qualificou sequer para as semifinais do Paulistão ou do Brasileirão. Pois aí está o Palmeiras que montou elenco milionário. Gastou R$ 110 milhões e chega ao fim do ano sem um título. A eliminação da Libertadores pelo modesto Barcelona, de Guayaquil, não foi mero acidente. O Verdão terminou 2016 como legítimo e inquestionável campeão brasileiro. Com a saída do técnico Cuca, a diretoria cometeu seu primeiro e maior erro: contratou o inexperiente Eduardo Batista para comandar um elenco tão caro e de tantas estrelas. Cuca voltou e pegou o bonde andando. Não se questiona a sua competência como técnico, mas nestes três meses de trabalho não conseguiu montar um time. Ninguém: técnico, cartola, dirigente, torcedor, adversário, ninguém é capaz de escalar o time titular do Palmeiras. No jogo decisivo desta quarta-feira, o Verdão voltou a jogar mal. Teve bons momentos e até criou ótimas situações. Mas o efeito gangorra continuou: ora no alto, ora no baixo. Veio a decisão por pênaltis que não é nenhuma loteria. É competência, é treino, é cabeça no lugar, é calma, é controle de nervos – tudo isso, menos loteria. E agora? Agora, é manter Cuca e partir para a melhor classificação possível dentro do Brasileirão. De preferência entre os classificados para a Libertadores. Veja os melhores momentos: a festa, a alegria e a triste eliminação:

https://youtu.be/KjcSVrHoUXk

Em Minas, o Galo não teve competência para marcar um golzinho sequer contra o Jorge Wilstermann: ficou no 0 a 0 e foi eliminado. Veja os gols da rodada dessa quarta feira:

https://youtu.be/zl1hCI8FOIo

Mário Marinho
Artigo escrito por Mário Marinho

Mário Marinho é jornalista esportivo com atuação no Jornal da Tarde, nas TVs Gazeta, Bandeirantes, Record e Cultura e nas rádios Eldorado, Gazeta, Record, Nove de Julho e Atual. É autor dos livros: "Paulo Marinho, uma reportagem biográfica", e "Velórios Inusitados".

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