Fanfulla: um centenário com olhos para o futuro

13/08/2010

Por Sílvia Sotero - Poucas publicações podem ostentar a condição de circularem há mais de 110 anos. Um destes raros casos é o pequeno - mas não menos tradicional - jornal Fanfulla, fundado em 1893 e reconhecido como o principal representante da imprensa italiana no Brasil.

Seu fundador, o imigrante Vitalino Rotellini, sentindo na pele a saudade de sua terra natal, quis manter seus conterrâneos oriundi informados sobre as notícias da Itália, com um periódico que, literalmente, falasse a língua de seus leitores – seu conteúdo é publicado até hoje em italiano.

O nome Fanfulla é uma homenagem ao herói italiano do séc. XVI, que defendeu com sucesso a cidade de Lodi, no norte da Itália, do assédio dos franceses. E tudo indica que o ânimo e a coragem daquele soldado guiaram os primeiros passos do jornal: em maio de 1894, menos de um ano após sua criação, o Fanfulla publicou, em sua primeira página, um marco histórico: “A tiragem de nosso jornal supera a de todos os outros jornais impressos do Brasil”. À época, o Fanfulla era o único veículo de imprensa do país a contar com as modernas linotipos canadenses, uma referência para os demais jornais.

Palestra, Guerra e modernização - A partir da década de 1910 e sob nova direção, o Fanfulla passou a ser protagonista de diferentes momentos importantes das histórias, tanto de Brasil quanto de Itália. Foi neste cenário, por exemplo, que o impresso publicou uma convocação para a comunidade: "Todos os quais desejarem participar da criação de um clube italiano de calcio (futebol) devem comparecer às 20h00 no número 2 da Rua Marechal Deodoro para a reunião de fundação do Palestra Itália". Assim nascia o maior clube “descendente” de italianos no Brasil, hoje Sociedade Esportiva Palmeiras.

Em 1942, a Segunda Grande Guerra interrompeu, no Brasil, a veiculação de publicações de países representantes do Eixo. Porém, o Fanfulla retomou sua circulação em 1948 com a mesma vocação. Após um novo período de turbulência – esteve nas mãos do governo entre 1964 e 1966 -, o periódico voltou à gerência do sr. Sandro Del Moro. Neste retorno, deixou de ser diário e tornou-se semanal.

O falecimento de Del Moro em 1981 fez com que o Fanfulla passasse a ser gerido pela figura maternal de sua esposa, de D. Marianita, ajudada então por seu sobrinho Luciano Dellarole.  Hoje com 82 anos, a “nonna” tornou-se presidente de honra do Fanfulla e não participa mais tão diretamente do jornal. No entanto, ela ajudou até bem pouco tempo atrás, inclusive dirigindo pelas ruas de São Paulo para distribuir a tiragem pelas bancas.

A partir de 2009, a administração passou a ser de Luciano Dellarole e seus filhos Guilherme e Leonardo, que trouxeram algumas mudanças significativas, como o novo layout, a reorganização do cadastro de assinaturas, o sistema de cobrança via boleto, entre outras. “Hoje, entregamos o Fanfulla pelos Correios, apenas para nossos assinantes. Eles gostam desse conforto de receber as informações da Itália em sua casa, com comodidade”, explica Leonardo.

Fala, bello! - Atualmente, o Fanfulla tem sede no bairro do Morumbi, mas seu arquivo, com toda sua história, está na Mooca (como não poderia deixar de ser). O jornal mantém tiragem de 20 mil exemplares por semana, alicerçada pela comunidade italiana e pelo esforço da família Dellarole. A maior parte de seu conteúdo editorial vem da agência de notícias italiana ANSA.

“O perfil de nossos leitor é formado por pessoas de meia-idade, embora assinantes mais jovens estejam surgindo”, analisa Leonardo. Como diz a própria D. Marianita “nossa intenção é atingir todas as faixas etárias, principalmente os jovens, despertando ainda mais o orgulho pela descendência italiana.”

Mesmo tradicionalista, o Fanfulla não esquece seu histórico vanguardista e atenta-se para o futuro. Um dos projetos dos Dellarole é o de aprimorar o site www.jornalfanfulla.com (o Fanfulla também será online, somente para assinantes, como no jornal impresso), ampliando seu leque de leitores. Segundo Leonardo, o caminho é claro e certo: “Vamos modernizar o jornal, mas sem perder a sua essência”.

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