CIDADE

Parte de Congonhas é tombada pelo patrimônio histórico do município

15/02/2012

Os elementos internos do saguão do Aeroporto de Congonhas, na zona Sul, assim como os terminais de embarque, o pavilhão das autoridades e sua fachada foram tombados pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp). Um processo de tombamento já estava aberto desde 2004, e mantinha o aeroporto "congelado" para grandes reformas. Agora, segundo a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), vai existir mais "flexibilidade" para intervenções eDivulgaçãostruturais no aeroporto. Congonhas, inaugurado na década de 1930, recebe 16 milhões de passageiros por ano e é o segundo aeroporto mais movimentado do País, atrás apenas de Cumbica, em Guarulhos.

Apesar da definição, o tombamento dificulta planos da Infraero de ampliar o saguão de embarque - a obra teria de ser submetida à aprovação dos conselheiros do Conpresp. A decisão do Conpresp também  é um balde de água fria nos planos do Metrô, que planejava construir no entorno do aeroporto uma estação de monotrilho da futura Linha 17-Ouro. Com a iminência do tombamento, a ideia já estava sendo repensada pela Secretaria dos Transportes.

Como em todo processo de tombamento, a área envoltória do aeroporto também está protegida - por isso a dificuldade em se criar uma estação ali. O entorno da avenida Washington Luís na frente do terminal, entre a avenida dos Bandeirantes e a rua Vieira de Morais, também foi tombado com o aeroporto. No Pavilhão das Autoridades, ficam preservados o conjunto de oito espelhos decorados no bar do Salão Nobre, de autoria do arquiteto francês Jacques Monet. Está tombado também um painel de 3,5 metros de altura por 16 metros de extensão atribuído a Di Cavalcanti e Clóvis Graciano.

No terminal de embarque e desembarque, a preservação é das "características externas das fachadas da edificação voltadas para a avenida Washington Luís" e dos "espaços internos e elementos arquitetônicos e artísticos do saguão central, antigo salão de dança e restaurante".

Diversos planos de expansão do aeroporto, já saturado, jamais saíram do papel por razões variadas. A ampliação das pistas e a desapropriação de cerca de 2 mil imóveis para a criação de uma área de escape foram deixadas de lado em 2009 por pressão dos moradores do entorno.
Um estudo feito pela consultoria McKinsey em 2010 que previa 20 novos balcões de check-in e o acréscimo de 20% na capacidade também esbarrou na burocracia e não foi para frente.

Outros tombamentos - A prefeitura tombou também nesta terça-feira (14) 118 imóveis definidos em 2004 pela população como Zepecs (zonas especiais de proteção cultural). Entre eles está a antiga casa do historiador Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982), na rua Buri, 35, no Pacaembu (zona Oeste). Também foram protegidas duas vilas: a da Travessa Dona Paula, em Higienópolis, e a da rua Taguá, na Liberdade, ambas na região central. Além disso, 12 imóveis próximos à antiga residência do arquiteto Ramos de Azevedo (1851-1928), na Liberdade, tiveram processo de tombamento aberto.

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