25/07/2011Marcelo Rondino

A cidade que eu queria

Há cerca de um mês comprei uma bicicleta nova. Lindona, preta e amarela, com todos os acessórios necessários para meu conforto e segurança ao pedalar pela cidade. Já tinha pedalado na ciclofaixa logo quando comprei a bicicleta, e depois fiquei 3 semanas sem usá-la, que não estava parando em São Paulo nos finais de semana.

No último dia 17 resolvi que era hora de não me acomodar e fui de novo pra rua com a Bumblebee (apelido da bicicleta), aproveitando o dia lindo que estava fazendo.

 

Marcelo RondinoPeguei a ciclofaixa bem perto da minha casa, na Av. Roberto Marinho, segui até a Berrini e de lá para a Vila Olímpia. Fiz um pit stop na casa de um amigo e de lá continuei pela Funchal até chegar ao Parque no Povo, que eu ainda não conhecia. Apesar de não ser enorme, é um parque muito gostoso, com rota de bicicletas separada da pista de corrida/caminhada, quadras de futebol, gramados, bancos, etc. Como São Pedro contribuiu, havia muita gente se exercitando, passeando com filhos ou com cachorros, tudo de uma forma tranquila e organizada.

 

Acho que esse foi o ponto que mais me chamou a atenção nesse passeio. A organização e a convivência democrática e civilizada das pessoas. Na ciclofaixa havia desde atletas em bicicletas que devem custar mais do que um carro até pessoas simples com bicicletas inusitadas. Todo mundo respeitava os sinais de "pare", tanto os ciclistas quanto os motoristas. Fiz o trajeto todo numa boa, sem nenhum contratempo, curtindo aquele momento raro em São Paulo.

 

Por algumas horas, eu adorei morar em São Paulo. Era aquela cidade que todos queriam que fosse, com trânsito baixo e democrático, onde era possível ir de um bairro a outro de bicicleta sem se sentir ameaçado ou em perigo, com respeito mútuo, sem stress de congestionamento, buzinas, motoboys, flanelinhas, etc.

 

A segunda feira chegou e tudo voltou a sua normalidade mas eu não deixei de pensar na São Paulo de domingo, em como eu gostei daquele dia, e que seria bom se todos se esforçassem para que a gente pudesse morar na nossa cidade ideal. Será que é impossível?

SOBRE O AUTOR

Marcelo Rondino tem 33 anos, é administrador de empresas formado pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e faz parte da equipe do Caderno SP.

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