06/09/2011Marcelo Rondino
Custo do transporte
Um amigo meu colocou no domingo um desabafo em seu perfil do Facebook. Ele teve seu veículo apreendido pela PM pois estava andando com a documentação atrasada. Ele estava com multas em dia, IPVA e licenciamento em dia, taxa do controlar paga e inspeção veicular agendada para a semana que vem. Entendo a revolta dele pois apesar do atraso ele estava com praticamente tudo em dia, e o que não estava já estava agendado para estar.
Ao contrário dele, milhares de carros circulam irregularmente pela cidade. Gente que não fez inspeção veicular, que não pagou IPVA ou não fez o licenciamento. Apesar de não ser irregular, ainda temos muita gente que anda sem ter seguro.
A conclusão é óbvia: muita gente quer ter carro para circular mas não quer arcar com todos os custos que um carro envolve. Preferem correr o risco pois enxergam que as chances de algo dar errado são pequenas.
Estas pessoas, como já é de praxe do brasileiro, estão pensando mais nelas e menos no coletivo. Se os carros irregulares não estivessem rodando, haveria menos carros em circulação e menos trânsito. Esses motoristas irregulares passariam a utilizar o sistema público de transporte, que com mais usuários seria cobrado para se expandir e a melhorar. Muitos carros irregulares poluem mais do que carros que foram revisados e inspecionados, conforme pretende o projeto da inspeção veicular.
Há também a questão da segurança. Aqui no Brasil o seguro não é obrigatório, o que é um grande absurdo. As chances de esses motoristas sem seguro arcarem com o custo do reparo de um terceiro em um acidente de carro são mínimas. Nos EUA e Canadá, por exemplo, você é obrigado a ter seguro. Quando um policial te para, ele pede a sua carteira de habilitação, documento do carro e a comprovação de seguro. Acho até que você poderia não ter seguro contra furto, roubo, incêndio ou algo assim, mas o seguro contra terceiros (danos materiais e pessoais) deveria ser obrigatório.
Sou da opinião de que se alguém quer ter carro ou qualquer outro veículo, deve ter dinheiro para arcar com os custos de se ter um. Simples assim. O seu meio de transporte deve ser escolhido com base no que você pode gastar com isso. Infelizmente essa nossa cultura de ode ao carro, onde ter um é sinal de status, faz com que a maioria das pessoas pense primeiro em ter o carro, e depois em como vai financiar isso. E aí, como sempre, depois reclamam do trânsito, que é mais fácil.
24/08/2011Marcelo Rondino
WTF CET?
Ontem, após um longo tempo, passei de carro na Av. Juscelino Kubitschek, no sentido Marginal e fui surpreendido pela nova obra viária da CET. Na altura do Parque do Povo, você simplesmente não pode mais seguir em frente e é obrigado a fazer uma espécie de chicane, ou seja, virar a direita e fazer um quadrado pra voltar na Juscelino mais à frente.
Os engenheiros da CET que me perdoem, mas que idéia de jerico, hein? Como assim você tem uma avenida onde você é obrigado a sair dela e voltar logo depois? Entendo que havia algo por trás do raciocínio, mas ficou um serviço muito porco devido a falta de lógica.
Pode até ser que um dia eu analise melhor e veja que a mudança realmente foi benéfica e melhorou o trânsito, mas hoje minha opinião é de que simplesmente não dá pra entender uma mudança tão estranha assim...
18/08/2011Marcelo Rondino
Redescobrimento
Devido ao acidente de carro narrado no post anterior, ficarei cerca de um mês sem carro. Confesso que desde que tive dinheiro pra comprar meu primeiro carro eu simplesmente abandonei o transporte público em São Paulo e só dirijo pra cima e pra baixo.
Ontem me peguei pensando como faria durante esse período sem carro. Poderia pegar um carro extra do seguro ou pegar emprestado dos meus pais, porém decidi seguir o caminho mais sustentável e explorar os diversos meios de locomoção que a cidade oferece.
E já inaugurei o período vindo de bicicleta para o trabalho. Da minha casa até o meu escritório são cinco quilômetros, sem grandes subidas ou descidas, não me pareceu nada muito complicado. E realmente o esforço da pedalada não foi grande nem cansativo, não cheguei aqui cansado ou sem fôlego mas diversos fatores me desmotivaram a repetir a experiência:
- a poluição incomoda bastante, ainda mais nessa época de tempo seco.
- é preciso ficar muito mais ligado ao seu redor, e isso gera um certo estresse. Há um grau de preocupação maior com os veículos ao redor pois você está em uma situação mais fragilizada.
- as condições para quem pedala são tão ruins quanto as para quem anda a pé. Ruas esburacadas, mal conservadas, canteiros sem rampas, obstáculos, etc. O trajeto foi tão sofrido que na volta o pneu da minha bicicleta furou após pegar um buraco.
- não tem como não chegar suado ao seu destino.
Ontem também utilizei o metrô em pleno horário de rush. Dependendo do sentido em que você vai, é algo absolutamente inviável, principalmente pelo comportamento mesquinho das pessoas. Os trens chevavam lotados e eu ficava esperando o próximo vir mais vazio, mas muitas pessoas estão se lixando e forçam a entrada no vagão a qualquer custo, gerando uma situação calamitosa. Pra que isso, gente? É pior pra todos.
Hoje vim de ônibus, foi simples e prático mas claro que ajudou o fato de eu ter uma linha porta-a-porta entre minha casa e o trabalho e ter horários flexíveis. Irei fazer mais experiências nesses próximos trinta dias, acho que será importante pra ter uma visão mais abrangente da cidade.
Marcelo Rondino tem 33 anos, é administrador de empresas formado pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e faz parte da equipe do Caderno SP.
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