AMBIENTE

Secretário admite que SP não deve ter frota de ônibus com energia limpa

20/08/2015

Além de reduzir o Programa Ecofrota – que prevê a utilização progressiva de combustíveis limpos na frota de ônibus de São Paulo, a Prefeitura de São Paulo já admite que não irá cumprir a meta da Lei de Mudanças Climáticas, que prevê a renovação da frota por ônibus movidos por fontes de energia renováveis até 2018. O secretário de Transportes de São Paulo, Jilmar Tatto, admitiu nesta quinta-feira (20) que será difícil cumprir a determinação.

De acordo com reportagem do G1, Tatto disse que a dificuldade está no fato de a indústria de veículos e de combustíveis não ter se desenvolvido ainda em larga escala para permitir o uso de novas tecnologias energéticas em uma cidade como São Paulo.

"Eu desconfio, não posso afirmar, mas existe um certo lobby por parte das montadoras no sentido de não investir em energia limpa vinculada aos ônibus. Porque está muito atrasado. Na parte de veículos individuais isso está mais avançado", afirmou o secretário. 

Até o dia 31 será publicado o edital da licitação do novo serviço de ônibus, e o texto prevê que a Lei seja cumprida. “Ainda assim, Tatto admite que não é possível ‘carimbar’, ou seja, garantir a data em que todo o sistema estará adaptado”, diz a reportagem do G1.

No dia 13 de agosto, uma reportagem do jornal Metro mostrou que a substituição de ônibus movidos a diesel por modelos que circulam com energia limpa deixou de ser prioridade na gestão do prefeito Fernando Haddad. De acordo com balanço apresentado pela SPTrans, a Ecofrota encolheu. Antes eram 1.746 coletivos. Atualmente são apenas 656, uma queda de 62,4%.

“De acordo com a SPTrans, 60 ônibus são movidos a etanol, 395 por diesel  de cana de açúcar  e 201 são trólebus. Hoje, a frota 'limpa' representa somente 4,4% do total de 14.774 coletivos”, diz a reportagem do Metro.

Segundo Tatto, o uso de energia limpa aumentou os custos da Prefeitura. Os trólebus, por exemplo, aumentaram o consumo de energia elétrica. E, no caso dos ônibus que circulam com etanol, “os altos e baixos da produção em usinas pelo País tornam a operação cara para a Prefeitura”.

A Lei de Mudanças Climáticas, que prevê a redução de 30% da emissão de gases  até 2017.

De acordo com a SPTrans, os ônibus em circulação na cidade emitem todos os dias 3,9 toneladas de dióxido de carbono. Os trólebus não emitem poluentes e os veículos movidos a etanol têm uma redução de 90% na emissão de material particulado, incluindo o dióxido de carbono. Esse percentual cai para 9% no caso dos coletivos abastecidos com o diesel de cana.

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