AMBIENTE

Mananciais terão operação conjunta contra ocupações irregulares

12/03/2015

A Prefeitura de São Paulo, em parceria com o Governo do Estado, fará nos próximos 90 dias entre 10 a 15 operações conjuntas em toda a cidade para a proteção do meio ambiente, em especial, do mananciais contra ocupações irregulares. A medida foi anunciada nesta terça-feira (10) pela vice-prefeita e coordenadora do Comitê Integrado das Subprefeituras, Nádia Campeão, que participou da 8ª reunião do governo local de Jaçanã/Tremembé, na zona norte, onde fica a Serra da Cantareira. 

De acordo com a vice-prefeita, o trabalho acontecerá após o convênio entre o município e Estado ter sido renovado nesta última semana, pelos próximos três meses. Em conjunto com órgãos como a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e a Polícia Militar Ambiental, agentes da Prefeitura atuarão em medidas pontuais para controle e recuperação de matas, córregos e nascentes. Entre as principais ações estão o mapeamento, remoção e congelamento de áreas ambientais ocupadas irregularmente.

No final do mês de janeiro, reportagem do jornal Bom Dia Brasil, da TV Globo, mostrou que áreas secas da represa Billings, área com regras rígidas de preservação, estão sendo ocupadas. "Sujeira jogada em água limpa, esgoto tratado voltando para córregos poluídos e para completar, a falta ou atraso de obras de estações da companhia de abastecimento", diz a reportagem, citando a situação crítica da poluição de rios. "Falta água e a cidade de São Paulo ainda polui a pouca que tem", acrescenta.

Para assistir à reportagem, clique aqui.

Apesar do convênio, é verdade que a Prefeitura de São Paulo tem sido conivente com as invasões que estão ocorrendo em áreas de proteção ambiental. “O prefeito faz vistas grossas à ocupação descarada de áreas de mananciais por grupos organizados, como o MTST, em especial na região da represa de Guarapiranga, na zona sul, uma das últimas do gênero na cidade. Numa era em que o mundo elegeu a preservação do meio ambiente como uma de suas prioridades, Haddad bota pilha nas ocupações ilegais feitas por grupos simpáticos ao PT, como o próprio MTST, que apoiaram a sua candidatura à prefeitura e a de Dilma à presidência”, diz o vereador Andrea Matarazzo, uma das principais vozes da oposição na Câmara Municipal.

Mais do que isso: no final do ano passado, Haddad liberou a construção de moradias no distrito de Pedreira, na zona Sul, em área próxima à Guarapiranga. Trata-se de um terreno de 1 milhão de metros quadrados, dentro de uma das pouquíssimas áreas que restam de Mata Atlântica na cidade. Para isso, foi preciso pressão da Prefeitura na Câmara para que o Plano Diretor da cidade legitimasse a invasão, chamada de "Nova Palestina". 

A invasão ocorreu em novembro de 2013. Em julho do ano seguinte, durante a votação do Plano Diretor na Câmara, integrantes do MTST pressionaram os vereadores para incorporar a área na lista de zonas de interesse social. Conseguiram.

Para piorar, desde o início da gestão Haddad o Programa Mananciais, que tinha como objetivo a preservação de toda a área da represa Guarapiranga, incluindo a despoluição da mesma, está parado. Em 2012, quando o prefeito assumiu, foi iniciada a terceira etapa, que teria investimento de R$ 2,6 bilhões já disponíveis, empenhados pelo ex-prefeito Gilberto Kassab. Nos meses seguintes, o que se viu foi uma queda considerável nos valores investidos: foram gastos R$ 458 milhões, ou 18% do previsto. 

O valor disponível para toda a gestão Haddad é de R$ 1,9 bilhão. Mas só foram aplicados R$ 313 milhões. 

De acordo com a Prefeitura, faltam projetos para liberar as obras por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com recursos da Caixa Econômica Federal. 

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